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  • Dr. Paulo Rogério Aguiar

Estimulação Transcraniana com corrente contínua (ETCC ou tDCS)


O tratamento de estimulação cerebral de corrente contínua (ETCC) ou tDCS (do inglês transcranial direct current stimulation) é uma alternativa para o tratamento de algumas patologias do sistema nervoso central, especialmente a depressão e a dor crônica. Na verdade não apenas uma alternativa, mas uma das ferramentas que dispomos atualmente para tratamento de doenças complexas, de etiologia multifatorial e que muitas vezes demanda a utilização de várias estratégias terapêuticas, farmacológicas e não farmacológicas concomitantemente.

Baseia-se na utilização de correntes elétricas contínuas de baixa amperagem (geralmente até 2 mA) em regiões do escalpo correspondente a áreas cerebrais de interesse terapêutico, gerando uma alteração na excitabilidade do córtex cerebral, sem causar quaisquer riscos de convulsão (já que não é capaz de gerar potenciais de ação).


O paciente é preparado para receber o tratamento, que tem a duração de 20 a 30 minutos, com frequência de duas a cinco vezes por semana (a frequência é discutida caso a caso), através da colocação de eletrodos umedecidos com soro fisiológico nas regiões cerebrais de interesse (um polo anodal e outro catodal), fixadas com bandas elásticas ou faixas que mantenham os eletrodos fixos na região desejada. Não há reações motoras como é usual, por exemplo, nas sessões de eletroacupuntura. O paciente praticamente não percebe o estímulo, podendo ocorrer eventualmente a sensação de pressão, aquecimento ou irritabilidade na pele abaixo das regiões estimuladas. ETCC é uma técnica com baixíssimos índices de efeitos adversos e de baixo custo.



Em geral um tratamento básico de depressão ou dor crônica, consta de 10 sessões com duração de 20 minutos, podendo chegar a 60 sessões (Loo CK et al., 2012). Após terminado o tratamento básico podem ser programadas sessões semanais, quinzenais etc, na dependência da resposta do paciente. Outros quadros clínicos que podem se beneficiar do tratamento com tDCS são: reabilitação em pacientes com sequelas pós-AVC, fibromialgia, fissura por drogas, transtorno obsessivo-compulsivo, esquizofrenia. Também é bastante utilizado para melhorar performance cognitiva.


Vários mecanismos têm sido levantados para explicar os efeitos da ETCC. Após o equipamento ligado, a corrente contínua migra, levando mudanças de polaridade (cargas elétricas) no neurônio e em seu meio circundante. As alterações da polaridade neuronal variam de despolarização (excitação) a hiperpolarização (inibição), com persistência das polarizações após cessada a estimulação. A estimulação anódica (vermelha) aumenta a excitabilidade cortical subjacente e a estimulação catódica (preta) a diminui. Em termos bioquímicos a tDCS produz no sistema nervoso uma cascata de eventos envolvendo modulação glutamatérgica, GABAérgica, dopaminérgica, serotonérgica e colinérgica (Medeiros LF., et al 2012)

Os mecanismos acima propostos poderiam justificar os efeitos da ETCC na depressão, pois, hipotetiza-se que indivíduos deprimidos apresentam hiperatividade na região frontal o (córtex frontaldorsolateral) direito e hipoatividade no esquerdo, condição esta, oposta àquela dos indivíduos normais. Desta forma a aplicação de uma corrente excitatória frontal esquerda pode balancear novamente o lado direito e esquerdo do cérebro, retornando o cérebro ao equilíbrio que ocorre nas pessoas normais (Brunoni AR et al., 2016). No caso da dor crônica o mecanismo de atuação da ETCC são similares a depressão. Tanto na depressão como na dor crônica o efeito da ETCC se deve a propagação do estímulo para áreas próximas e distantes ao local do estímulo num mecanismo similar à EMTr (estimulação magnética transcraniana), diferindo entretanto qualitativa e quantitativamente.

Realizamos este tratamento em nossa clínica. Entre em contato para avaliarmos se o seu caso se enquadra nas indicações técnicas de utilização desta modalidade de tratamento.


  1. http://nervomusculoedor.com.br/estimulacao-transcraniana-por-corrente-continua-em-dor-cronica-e-depressao



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